quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Política

Da saúde regionalizada à bioeconomia, plano de Omar Aziz distribui propostas em três volumes

Apresentado por Omar Aziz como base de seu projeto de governo, o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas organiza diagnósticos, metas e propostas em três volumes. O trabalho foi coordenado pelo empresário e pesquisador Durango Duarte, que reuniu especialistas de diferentes áreas.
durangoduarte-omar

O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas, apresentado pelo governador eleito Omar Aziz (PSD) como uma das bases de seu projeto de governo, foi organizado em três volumes e reúne aproximadamente 1.742 páginas de diagnósticos, propostas, metas e estratégias de execução. A coordenação do trabalho ficou a cargo do empresário, publicitário e pesquisador Durango Duarte.

O documento aborda áreas como economia, saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, assistência social, habitação, meio ambiente, tecnologia, inovação e desenvolvimento regional. A elaboração envolveu pesquisadores, professores, economistas, especialistas em políticas públicas, profissionais da administração, entidades de classe, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e representantes do setor produtivo.

Omar Aziz foi eleito governador do Amazonas no domingo, 25 de outubro de 2026, ao lado da vice-governadora eleita Alessandra Campêlo. A nova gestão deverá assumir em janeiro de 2027, e o plano foi apresentado como uma agenda que pretende ultrapassar os limites de um único mandato.

Três volumes para organizar a agenda estadual

O primeiro volume concentra temas ligados à situação fiscal do estado, aos efeitos da Reforma Tributária, à infraestrutura, à logística e à diversificação da economia. Também reúne diretrizes para o fortalecimento da Zona Franca de Manaus e para a ampliação de atividades produtivas no interior.

Entre os setores mencionados estão a bioeconomia, o turismo, a piscicultura, a fruticultura, a ciência e a tecnologia. A proposta considera a necessidade de ampliar a capacidade de investimento do Amazonas e reduzir desigualdades econômicas entre Manaus e os municípios do interior.

O segundo volume trata de saúde, segurança pública e assistência social. Na saúde, o planejamento prevê a regionalização do atendimento, a ampliação da telessaúde nos 62 municípios, o fortalecimento dos polos regionais e o uso de barcos-hospitais e equipes itinerantes.

Na segurança pública, o documento apresenta a modernização do Ronda no Bairro e sua expansão por meio de quatro frentes: Ronda nos Municípios, Ronda nos Rios, Ronda Social e Ronda Digital. Na assistência social, o programa Amazonas Forte Social propõe fortalecer a rede de proteção às famílias vulneráveis e ampliar oportunidades de autonomia econômica.

O terceiro volume reúne propostas para educação, cultura, habitação, meio ambiente, políticas indigenistas, ciência, tecnologia e inovação. Entre as medidas estão o Pacto Estadual de Alfabetização, o fortalecimento do ensino médio, a ampliação da educação profissional e tecnológica e a modernização dos serviços públicos pelo programa Amazonas Digital e Inovador.

O texto também prevê o fortalecimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), além de políticas de valorização cultural e proteção dos povos indígenas.

Participação de especialistas e colaboradores

O segundo volume registra a participação direta de mais de 200 colaboradores. O terceiro menciona mais de uma centena de participantes. O trabalho foi estruturado a partir da contribuição de profissionais de diferentes especialidades e de representantes de instituições e setores da sociedade.

A organização do plano procura relacionar problemas identificados, soluções propostas e mecanismos de implementação. O documento também incorpora temas como inteligência artificial, transformação digital, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e modernização da administração pública.

A previsão é que as ações sejam acompanhadas por indicadores, metas e instrumentos de avaliação. O planejamento ainda destaca a continuidade das políticas públicas, com a intenção de estruturar iniciativas que possam permanecer em funcionamento mesmo diante de mudanças de governo.

Experiência de Durango Duarte em pesquisa e gestão

A coordenação do plano está relacionada à trajetória de mais de quatro décadas de Durango Duarte em pesquisas, comunicação, consultoria e gestão de projetos. Nascido em 11 de novembro de 1963, em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, ele chegou a Manaus em 1975, ainda adolescente, e construiu na capital amazonense a maior parte de sua carreira profissional e empresarial.

Sua formação inclui estudos em Engenharia, Matemática e Jornalismo na antiga Universidade do Amazonas, atual Universidade Federal do Amazonas (Ufam), além de graduação em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte). Também fez especializações em marketing, políticas públicas, governo, inovação e transformação digital.

A aproximação com a política começou no movimento estudantil, durante a década de 1980, em atividades relacionadas à redemocratização do país e à representação universitária. A relação profissional com Omar Aziz remonta a esse período.

Em 1988, Durango foi convidado por Omar Aziz para assumir a direção executiva da Fundação de Apoio e Desenvolvimento Comunitário (Fundac). No mesmo ano, participou da primeira campanha eleitoral de Omar para a Câmara Municipal de Manaus.

Entre 1989 e 1990, atuou como consultor do então prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. Posteriormente, desenvolveu trabalhos de consultoria relacionados a administrações estaduais de Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Omar Aziz e Wilson Lima, além de gestões municipais.

Ao longo desse período, participou de estudos, estratégias e projetos relacionados à comunicação institucional, ao planejamento governamental e às políticas públicas. Entre as iniciativas associadas à sua trajetória profissional estão Ronda no Bairro, Amazonas Digital, Viver Melhor, Cidade Universitária e Bolsa Universidade.

Perspectiva ampliou atuação em pesquisas

Em 13 de julho de 1993, Durango fundou a Perspectiva Tecnologia da Informação, que posteriormente passou a atuar com a marca Perspectiva Mercado e Opinião. A empresa desenvolveu pesquisas eleitorais, estudos de mercado, levantamentos de opinião pública e análises do comportamento dos consumidores.

A experiência com pesquisas havia começado em 1990, em trabalhos realizados com professores do Departamento de Estatística da Universidade do Amazonas. Naquele período, Durango participou de iniciativas de acompanhamento e apuração eleitoral paralela, em um contexto no qual os recursos tecnológicos eram mais limitados e a totalização oficial dos resultados podia levar vários dias.

Segundo informações de sua trajetória profissional, a empresa realizou mais de mil projetos de pesquisa. Durango também acumulou experiência no acompanhamento de 22 eleições desde 1982 e criou o Top of Mind, levantamento voltado à identificação das marcas e dos produtos mais lembrados pelos consumidores de Manaus.

A Perspectiva passou a atender diferentes segmentos empresariais e institucionais. A atividade consolidou a experiência do empresário na interpretação de indicadores, na identificação de tendências e no uso de informações para orientar decisões estratégicas.

Empresas de comunicação, tecnologia e publicidade

A atuação empresarial de Durango também se estendeu à comunicação, à tecnologia e à publicidade. Em 2009, ele fundou a The Voice, voltada à publicidade em painéis eletrônicos de LED, segmento que passou a ocupar espaço no mercado de mídia exterior de Manaus.

Em 2019, criou a iMarketing, com serviços relacionados à comunicação digital, ao marketing, às pesquisas e ao monitoramento de informações. Em 2021, fundou a Red Agency, voltada ao setor publicitário, e estruturou a DMD Holding para organizar suas atividades e participações empresariais.

Essa diversificação envolveu gestão de equipes, desenvolvimento de projetos, inovação tecnológica e planejamento empresarial. A experiência foi incorporada à coordenação do plano estratégico, que exigiu a articulação de profissionais de diferentes áreas e a organização de diagnósticos e propostas.

Instituto preserva documentos da história regional

Paralelamente às atividades empresariais e de consultoria, Durango desenvolveu ações voltadas à preservação da memória histórica do Amazonas. Em 2015, fundou o Instituto Durango Duarte (IDD), organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa, à documentação e à preservação de registros históricos.

Inaugurado oficialmente em abril de 2016, o instituto reúne jornais, fotografias, documentos e outras fontes sobre a história de Manaus, do Amazonas e do Brasil. Durango também participou da produção de obras sobre política, cultura, comunicação e história regional.

Entre os trabalhos estão Informação é Tudo, de 2005; Manaus, entre o Passado e o Presente, de 2009; Imprensa Amazonense, de 2015; e Manaus 350 Anos, publicado em 2020. Ele também participou de publicações sobre a história da Zona Franca de Manaus, o ciclo da borracha e a preservação do patrimônio histórico da capital.

Próxima etapa será a execução das propostas

Com a eleição de Omar Aziz, o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas passa a integrar o conjunto de referências técnicas disponíveis para a próxima administração estadual. O governador eleito retorna ao Executivo depois de ter administrado o estado entre 2010 e 2014. Alessandra Campêlo será a primeira mulher eleita para o cargo de vice-governadora no Amazonas.

A implementação das propostas dependerá da definição de prioridades, da disponibilidade orçamentária, da capacidade de execução dos órgãos estaduais e da articulação com municípios, União e setor produtivo. O documento apresenta diretrizes para reorganização administrativa, ampliação dos investimentos, melhoria dos serviços públicos e desenvolvimento dos municípios do interior.

A elaboração do plano reúne, em uma mesma agenda, a experiência de Durango Duarte em pesquisa, consultoria, comunicação, gestão e preservação histórica. O material coordenado por ele deixa de ser apenas uma referência programática de campanha e passa a compor a base técnica que poderá orientar a formulação das políticas públicas da gestão que começará em janeiro de 2027.