A saúde do homem precisa ser acompanhada durante todas as fases da vida, e não apenas quando surgem dores, alterações ou doenças. A prevenção ajuda a identificar fatores de risco, atualizar vacinas, controlar condições crônicas e orientar mudanças de hábitos antes que os problemas se agravem.
No Brasil, o cuidado com a população masculina é orientado pela Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, do Ministério da Saúde. A política prioriza o acesso aos serviços, a prevenção de doenças, a saúde sexual e reprodutiva, a paternidade e o cuidado, além da prevenção de violências e acidentes. (gov.br)
Para os homens que vivem no Maranhão, a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) é a Unidade Básica de Saúde (UBS) do município. É nesse espaço que podem ser feitas avaliações iniciais, orientações, vacinação, acompanhamento de doenças crônicas e encaminhamentos, quando necessários. A oferta de serviços e os horários podem variar de acordo com a rede local.
Por que a prevenção é importante
Muitos homens procuram atendimento somente quando os sintomas já interferem no trabalho, no sono, na alimentação ou na rotina. Esse comportamento pode atrasar o diagnóstico e dificultar o controle de problemas que poderiam ser acompanhados desde o início.
O Ministério da Saúde destaca que os homens apresentam maior vulnerabilidade a doenças graves e crônicas e costumam buscar menos os serviços de atenção básica. A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem recomenda fortalecer justamente o cuidado preventivo e o acompanhamento próximo da população masculina. (bvsms.saude.gov.br)
Prevenção não significa fazer todos os exames indiscriminadamente. O cuidado deve considerar idade, histórico familiar, hábitos de vida, sintomas, uso de medicamentos, doenças já diagnosticadas e condições sociais. A avaliação de um profissional ajuda a definir quais medidas são necessárias em cada caso.
O que pode ser feito em uma consulta preventiva
Uma consulta de rotina pode começar com uma conversa sobre alimentação, atividade física, sono, consumo de álcool, tabagismo, uso de outras substâncias, sexualidade, saúde mental e condições de trabalho. Também é importante informar ao profissional quais doenças existem na família e quais medicamentos são usados.
Conforme a avaliação, a equipe de saúde pode verificar pressão arterial, peso, altura, índice de massa corporal, vacinação e fatores de risco para diabetes e doenças cardiovasculares. Outros exames ou encaminhamentos podem ser solicitados quando houver indicação clínica.
Não é necessário esperar um sintoma intenso para procurar a UBS. A busca por atendimento também pode ocorrer para atualizar a caderneta de vacinação, renovar o acompanhamento de uma doença crônica, conversar sobre saúde sexual ou receber orientação para abandonar o cigarro e reduzir o consumo de álcool.
Pressão alta, diabetes e doenças do coração
Hipertensão, diabetes, colesterol elevado e excesso de peso podem permanecer sem sintomas por longos períodos. Ainda assim, aumentam o risco de infarto, acidente vascular cerebral, doença renal e outras complicações.
A aferição da pressão é uma das medidas mais simples para identificar a hipertensão. Segundo o Ministério da Saúde, adultos devem medir a pressão regularmente; pessoas acima de 20 anos devem fazê-lo pelo menos uma vez por ano, ou com maior frequência quando houver histórico familiar ou orientação profissional. (gov.br)
A prevenção inclui reduzir o consumo de sal e de alimentos ultraprocessados, manter uma alimentação variada, praticar atividade física de forma regular, controlar o peso, não fumar e moderar o consumo de bebidas alcoólicas. Quem já recebeu diagnóstico deve seguir o tratamento prescrito e não interromper medicamentos por conta própria.
Atividade física não precisa começar com exercícios intensos. Caminhadas, deslocamentos ativos, tarefas domésticas e outras práticas podem fazer parte de uma rotina mais movimentada. Pessoas sedentárias, com doenças crônicas ou com limitações físicas devem buscar orientação para iniciar uma atividade com segurança.
Vacinação também faz parte do cuidado masculino
A vacinação não é apenas uma medida da infância. Adultos e idosos devem manter a caderneta atualizada de acordo com o Calendário Nacional de Vacinação e com as condições individuais de saúde.
O Ministério da Saúde informa que a vacinação de rotina está disponível durante todo o ano e orienta que a população procure regularmente a unidade de saúde mais próxima. A ausência da caderneta não impede a aplicação das vacinas indicadas; em caso de perda, é possível solicitar uma nova via na unidade. (gov.br)
As vacinas indicadas podem variar conforme a idade, o histórico de imunização, a ocupação, a presença de doenças crônicas, viagens e outras situações específicas. Por isso, o ideal é levar informações sobre doses anteriores e perguntar à equipe quais vacinas estão pendentes.
Saúde sexual e prevenção de infecções
A prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) deve fazer parte do cuidado masculino. O uso de preservativo interno ou externo reduz o risco de transmissão do HIV, sífilis, hepatites virais e outras infecções. O método também ajuda a evitar uma gravidez não planejada.
O preservativo deve ser usado em todas as relações sexuais, inclusive quando não há sintomas. Algumas infecções podem não apresentar sinais por um período, e a ausência de alterações visíveis não significa ausência de infecção.
Em caso de relação sexual sem preservativo, rompimento do preservativo, feridas, corrimento, dor, coceira, ardência ao urinar ou aparecimento de verrugas, é importante procurar um serviço de saúde. A equipe poderá orientar sobre testagem, tratamento, vacinação e medidas de prevenção, de acordo com cada situação.
Questões relacionadas à ereção, ejaculação, libido, dor ou infertilidade também devem ser discutidas com profissionais de saúde. Esses problemas podem estar associados a doenças, medicamentos, fatores emocionais ou alterações hormonais e não devem ser tratados apenas com produtos adquiridos sem orientação.
Saúde mental não deve ser deixada de lado
Ansiedade, depressão, estresse, isolamento, irritabilidade, insônia e uso frequente de álcool ou outras drogas também exigem atenção. O sofrimento emocional pode aparecer de maneiras diferentes e nem sempre é reconhecido como um problema de saúde.
Conversar com um profissional da UBS é um primeiro passo possível. A equipe pode oferecer escuta, orientação e encaminhamento para outros pontos da rede quando necessário. Familiares e amigos também podem ajudar ao perceber mudanças persistentes de comportamento, perda de interesse pelas atividades, falas sobre desesperança ou dificuldade para manter a rotina.
Em uma situação de emergência ou risco imediato de violência contra si ou contra outra pessoa, deve-se procurar atendimento de urgência ou acionar os serviços públicos de emergência disponíveis. Não é recomendável deixar alguém em risco sozinho.
Câncer de próstata: atenção aos sintomas e decisão informada
O câncer de próstata é um dos principais tumores que atingem os homens. A idade, o histórico familiar e o excesso de gordura corporal estão entre os fatores associados a um risco maior. A doença pode não apresentar sintomas no início, e alterações urinárias também podem ter outras causas.
O Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) não recomendam o rastreamento populacional do câncer de próstata, ou seja, a realização sistemática de exames em homens sem sinais ou sintomas. A orientação é conversar com um profissional sobre possíveis benefícios e riscos antes de decidir pela realização de exames como PSA e toque retal. (gov.br)
Isso não significa ignorar a próstata ou deixar de investigar sintomas. Dificuldade para urinar, redução do jato urinário, necessidade de urinar muitas vezes durante o dia ou à noite e presença de sangue na urina devem ser avaliadas por um profissional. Na maioria das vezes, esses sinais não são provocados por câncer, mas precisam ser investigados. (gov.br)
Também é importante evitar campanhas ou mensagens que prometam segurança absoluta por meio de um único exame. Um resultado alterado pode exigir novas avaliações e nem sempre significa câncer. A decisão deve ser individualizada, considerando riscos, benefícios, preferências e condições de saúde.
Quando procurar atendimento
Além das consultas preventivas, alguns sinais indicam a necessidade de buscar avaliação. Entre eles estão dor no peito, falta de ar, desmaio, fraqueza súbita em um lado do corpo, dificuldade para falar, sangramento sem explicação, perda de peso não intencional, febre persistente, sangue na urina ou nas fezes e mudanças urinárias que não desaparecem.
Feridas genitais, corrimento, dor durante a relação sexual, alterações persistentes nos testículos, dificuldade de ereção ou queda importante da libido também merecem atenção. O atendimento precoce pode facilitar a investigação e o tratamento.
Em situações de emergência, como suspeita de infarto ou acidente vascular cerebral, a orientação é procurar imediatamente um serviço de urgência. Não se deve esperar uma consulta de rotina nem tentar resolver o quadro apenas com medicamentos por conta própria.
Como começar a cuidar melhor da saúde
- Procure a UBS de referência para uma avaliação de rotina, mesmo sem sintomas.
- Leve informações sobre doenças na família, medicamentos em uso e vacinas recebidas.
- Verifique regularmente a pressão arterial e converse sobre exames indicados para o seu perfil.
- Adote uma alimentação variada, reduza o sal e evite o excesso de produtos ultraprocessados.
- Pratique atividade física de forma compatível com sua condição de saúde.
- Não fume e procure ajuda para interromper o uso de tabaco.
- Use preservativo e faça testagens para ISTs quando houver indicação ou exposição de risco.
- Converse sobre ansiedade, tristeza, sono, estresse, álcool e outras drogas.
- Não use medicamentos, hormônios ou estimulantes sem orientação profissional.
- Procure atendimento ao perceber sintomas persistentes ou alterações no corpo.
Cuidar da saúde do homem é uma prática contínua. A prevenção não substitui a avaliação individual, mas aumenta as chances de reconhecer riscos, tratar doenças no momento adequado e preservar autonomia e qualidade de vida. No Maranhão e em outras regiões do país, a orientação inicial pode ser buscada na atenção básica do SUS.
As informações deste conteúdo são gerais e não substituem consulta, diagnóstico ou tratamento com profissional habilitado.








