O acompanhamento preventivo da saúde da mulher deve fazer parte da rotina, mesmo quando não há sintomas. Consultas regulares ajudam a identificar fatores de risco, atualizar vacinas, orientar sobre saúde sexual e reprodutiva e avaliar a necessidade de exames conforme a idade, o histórico familiar e as condições de saúde de cada pessoa.
No Maranhão, a porta de entrada para grande parte desses cuidados é a Unidade Básica de Saúde (UBS). A orientação do Ministério da Saúde é que a atenção primária acompanhe a mulher de forma integral, considerando não apenas o aparelho reprodutor, mas também aspectos como pressão arterial, alimentação, saúde mental, doenças crônicas, prevenção de infecções e planejamento reprodutivo.
O atendimento não deve ser procurado apenas quando surge dor, sangramento anormal ou outro incômodo. Muitas doenças podem evoluir sem sinais aparentes, e a prevenção aumenta as chances de identificar alterações em fases iniciais.
O que pode ser avaliado em uma consulta preventiva
A consulta deve ser individualizada. O profissional de saúde pode perguntar sobre o ciclo menstrual, uso de medicamentos, métodos contraceptivos, histórico de gestações, alimentação, atividade física, consumo de álcool e tabaco, qualidade do sono e saúde emocional.
Também podem ser verificadas a pressão arterial, o peso, a altura e outros indicadores relacionados ao risco de doenças cardiovasculares e metabólicas. Dependendo da idade e do histórico clínico, o profissional pode solicitar ou atualizar exames para investigar diabetes, alterações do colesterol, anemia e outras condições.
A consulta ainda é uma oportunidade para falar sobre dor pélvica, sangramento fora do período menstrual, corrimento, sintomas urinários, dificuldades sexuais, menopausa e mudanças no corpo. Informações sobre violência doméstica ou sexual também podem ser acolhidas pelos serviços de saúde, com encaminhamento conforme a necessidade.
Preventivo do colo do útero exige periodicidade
O exame preventivo do colo do útero, conhecido como Papanicolau ou exame citopatológico, é utilizado para detectar alterações que podem evoluir para câncer. Segundo o Ministério da Saúde, o rastreamento é indicado para mulheres de 25 a 64 anos que já iniciaram a vida sexual, mesmo quando não apresentam sintomas. (gov.br)
Na estratégia tradicional, a orientação é realizar o exame anualmente. Depois de dois resultados consecutivos negativos, o intervalo pode passar para três anos, conforme a recomendação do serviço de saúde e os protocolos vigentes.
O SUS também está incorporando o teste molecular para detecção do DNA do HPV, vírus relacionado ao desenvolvimento da maioria dos casos de câncer do colo do útero. Quando essa tecnologia estiver disponível no serviço e o resultado for negativo, o intervalo previsto pode ser de cinco anos, de acordo com as diretrizes nacionais atualizadas. (gov.br)
A oferta do teste pode ocorrer de forma gradual, conforme a organização da rede de saúde. Por isso, a mulher deve procurar a UBS de referência para saber qual método está disponível e qual periodicidade será aplicada ao seu caso.
Quando procurar atendimento antes do exame de rotina
O rastreamento é destinado a pessoas sem sinais suspeitos. Quando há sintomas, o atendimento não deve esperar a data do próximo preventivo. Corrimento com odor forte, sangramento após a relação sexual, sangramento fora do período menstrual, dor pélvica persistente, feridas ou verrugas na vulva e na vagina precisam ser avaliados por um profissional.
Esses sinais não significam necessariamente câncer ou uma doença grave. Eles podem estar relacionados a infecções, alterações hormonais ou outras condições. A avaliação é importante para identificar a causa e iniciar o cuidado adequado.
Mamografia deve seguir indicação individualizada
A mamografia de rastreamento é feita em mulheres sem sinais ou sintomas, com o objetivo de identificar alterações suspeitas antes que sejam percebidas. Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde passou a orientar o rastreamento populacional no SUS para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos.
A recomendação foi divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer, com base em evidências sobre o equilíbrio entre benefícios e possíveis riscos do rastreamento. (gov.br)
Mulheres fora dessa faixa etária, sem sintomas suspeitos, podem ter acesso ao exame mediante avaliação e decisão compartilhada com o profissional de saúde. Já a mamografia com finalidade diagnóstica pode ser indicada em qualquer idade quando há alteração na mama ou outro sinal que precise de investigação.
Entre as mudanças que devem ser avaliadas estão caroço persistente, retração da pele ou do mamilo, saída espontânea de secreção pelo mamilo, alteração recente no formato da mama e ferida que não cicatriza. A maior parte das alterações não é câncer, mas somente a avaliação clínica e os exames indicados podem esclarecer a causa.
Conhecer as mamas também faz parte do cuidado
A mulher deve observar o próprio corpo e procurar atendimento quando notar uma mudança persistente ou diferente do padrão habitual. Isso não substitui a mamografia quando ela é indicada, nem significa que seja necessário realizar um autoexame com técnica rígida em intervalos determinados.
O cuidado consiste em conhecer o aspecto e a forma das próprias mamas e comunicar alterações à equipe de saúde. Pessoas com histórico familiar importante de câncer de mama ou ovário, diagnóstico anterior de lesões ou outros fatores de risco devem informar essa situação durante a consulta, pois a conduta pode ser diferente da recomendação para a população geral.
Vacinação e prevenção de infecções
A vacinação contra o HPV é uma das principais medidas de prevenção do câncer do colo do útero e de outras doenças relacionadas ao vírus. A disponibilidade e o público indicado seguem as regras do Programa Nacional de Imunizações. A carteira de vacinação deve ser levada à UBS para conferência e atualização quando necessário.
Também é importante conversar sobre prevenção das infecções sexualmente transmissíveis. O uso de preservativo reduz o risco de transmissão do HIV, da sífilis, das hepatites virais e de outras infecções. A escolha do método contraceptivo deve considerar as preferências, as condições de saúde e os planos reprodutivos de cada mulher.
Planejamento reprodutivo e pré-natal
O planejamento reprodutivo permite discutir se a mulher deseja engravidar, adiar uma gestação ou evitar a gravidez. A equipe de saúde pode orientar sobre métodos contraceptivos, eficácia, possíveis efeitos adversos e formas de prevenção das infecções sexualmente transmissíveis.
Quando há intenção de engravidar, a consulta pode ajudar a identificar doenças preexistentes, revisar medicamentos, avaliar vacinas e orientar hábitos saudáveis. Após a confirmação da gestação, o pré-natal deve começar o quanto antes, com acompanhamento regular e realização dos exames indicados.
O atendimento também deve ser procurado em situações relacionadas ao pós-parto, à amamentação e à saúde emocional. Tristeza intensa, ansiedade incapacitante, falta de apoio ou pensamentos de machucar a si mesma ou o bebê exigem ajuda profissional imediata.
Menopausa também merece acompanhamento
A menopausa é uma fase natural da vida, mas os sintomas podem afetar o sono, o humor, a sexualidade e a qualidade de vida. Ondas de calor, alterações menstruais, ressecamento vaginal, dor durante a relação sexual e mudanças emocionais podem ser discutidos na consulta.
A terapia hormonal não é indicada automaticamente para todas as mulheres. A decisão depende da avaliação individual, dos sintomas, da idade, do histórico familiar e de possíveis contraindicações. A automedicação, inclusive com hormônios ou produtos naturais, deve ser evitada.
Com o avanço da idade, também ganham importância a prevenção de quedas, o cuidado com os ossos, a avaliação cardiovascular, o controle de doenças crônicas e a manutenção de atividade física adequada.
Como buscar atendimento pelo SUS no Maranhão
O primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde responsável pelo atendimento da área onde a mulher mora. A equipe pode orientar sobre consultas, vacinação, coleta do preventivo, encaminhamento para mamografia e outros serviços disponíveis na rede municipal.
Os documentos e requisitos podem variar conforme a organização de cada município. Por isso, é recomendável confirmar previamente quais documentos devem ser apresentados, os horários de atendimento e a necessidade de agendamento. Em geral, a mulher deve levar um documento de identificação, o cartão do SUS, se tiver, e exames ou receitas anteriores.
Quem mudou de cidade, perdeu o acompanhamento ou está há anos sem realizar exames deve procurar a UBS mesmo assim. A equipe pode atualizar o histórico de saúde e indicar as próximas etapas. Não é necessário esperar uma campanha de prevenção para iniciar o cuidado.
Prevenção não significa fazer todos os exames
Um acompanhamento adequado não consiste em solicitar o maior número possível de exames. Cada procedimento deve ter indicação, faixa etária, periodicidade e finalidade definidas. Exames feitos sem necessidade podem gerar resultados inconclusivos, ansiedade e investigações adicionais.
Por isso, a mulher deve informar à equipe sobre sintomas, doenças anteriores, cirurgias, uso de medicamentos, histórico familiar e exames realizados. As recomendações podem mudar quando há fatores de risco ou quando o atendimento é feito por causa de algum sintoma.
Manter consultas periódicas, atualizar a vacinação, adotar hábitos saudáveis e procurar a UBS diante de mudanças no corpo são medidas que ajudam a proteger a saúde em diferentes fases da vida. O acompanhamento preventivo deve ser contínuo e adaptado às necessidades de cada mulher.
Importante: este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui uma consulta ou avaliação individual. Em caso de sintomas persistentes, procure um serviço de saúde.








