A hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta, pode permanecer por muito tempo sem provocar sinais claros. Essa característica faz com que muitas pessoas só descubram a doença durante uma consulta, uma aferição de rotina ou após o surgimento de uma complicação. Por isso, a ausência de sintomas não significa que a pressão esteja normal nem que o tratamento possa ser interrompido.
O acompanhamento regular permite identificar alterações, avaliar o risco cardiovascular, verificar a resposta aos medicamentos e orientar mudanças de hábitos. No Sistema Único de Saúde (SUS), o cuidado começa, na maioria dos casos, na Unidade Básica de Saúde (UBS), com a participação de profissionais da atenção primária.
De acordo com o Ministério da Saúde, a hipertensão é uma doença crônica caracterizada por níveis elevados e sustentados da pressão arterial. Em geral, considera-se hipertensão quando os valores são iguais ou superiores a 140 por 90 milímetros de mercúrio, o conhecido 14 por 9, mas uma única medida alterada não é suficiente para confirmar o diagnóstico. A avaliação deve ser feita por profissionais de saúde, com aferições adequadas e, quando necessário, repetidas em diferentes momentos. (gov.br)
Por que a hipertensão pode não apresentar sintomas
A pressão arterial elevada nem sempre causa dor ou desconforto imediato. O organismo pode se adaptar gradualmente aos níveis elevados, enquanto o coração e os vasos sanguíneos continuam submetidos a uma sobrecarga. Dessa forma, uma pessoa pode trabalhar, realizar atividades cotidianas e se sentir bem mesmo tendo a pressão fora da faixa considerada adequada.
Quando aparecem, os sintomas costumam estar associados a elevações importantes da pressão ou a possíveis repercussões no organismo. Podem ocorrer dor de cabeça, tontura, zumbido no ouvido, fraqueza, alterações na visão, falta de ar, náusea, palpitação ou dor no peito. Esses sinais não devem ser usados como único critério para decidir se é necessário procurar atendimento, porque a hipertensão também pode existir sem nenhum deles. (gov.br)
O principal risco está na falsa sensação de segurança. A pessoa pode deixar de medir a pressão, faltar às consultas ou suspender o remédio por conta própria porque não sente nada. Entretanto, o controle da hipertensão depende de acompanhamento contínuo, mesmo quando as medições melhoram e os sintomas não aparecem.
Quais problemas podem ser evitados
Quando não é controlada, a hipertensão aumenta o esforço exigido do coração e pode comprometer as artérias ao longo do tempo. A doença está associada a maior risco de acidente vascular cerebral (AVC), infarto, insuficiência cardíaca, doença renal e outras complicações cardiovasculares. Também pode contribuir para alterações nos olhos e para a piora de condições como diabetes e colesterol elevado. (gov.br)
O acompanhamento não serve apenas para registrar o número da pressão. A equipe de saúde também pode avaliar peso, alimentação, atividade física, uso correto dos medicamentos, histórico familiar, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e a presença de outras doenças. Esses fatores ajudam a definir o risco de cada paciente e o plano de cuidado mais adequado.
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde destaca que o manejo da hipertensão envolve prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento, prioritariamente na atenção primária. A atenção especializada pode ser necessária em situações como suspeita de hipertensão secundária, dificuldade persistente para controlar a pressão, presença de complicações ou risco cardiovascular elevado. (gov.br)
Como funciona o acompanhamento na UBS
A pessoa com suspeita ou diagnóstico de hipertensão deve procurar a UBS de referência do território onde mora. O fluxo pode variar de acordo com a organização de cada município, mas normalmente inclui acolhimento, aferição da pressão, consulta com médico ou enfermeiro, avaliação de fatores de risco e definição da necessidade de exames ou encaminhamento.
Durante o acompanhamento, é importante informar todos os medicamentos utilizados, inclusive aqueles comprados sem receita, suplementos e produtos naturais. A equipe também precisa saber se houve esquecimento de doses, efeitos colaterais, mudanças na rotina, internações ou episódios de pressão muito elevada.
O tratamento pode envolver mudanças no estilo de vida, medicamentos ou a combinação das duas estratégias. A escolha depende dos níveis de pressão, da idade, de outras doenças, do risco cardiovascular e da resposta de cada pessoa. Não existe uma receita única para todos os pacientes, e qualquer alteração de dose deve ser feita pelo profissional responsável.
As diretrizes do Ministério da Saúde recomendam revisão periódica do tratamento e monitoramento da eficácia e de possíveis efeitos adversos. Mesmo quando a pressão está controlada, a consulta continua sendo necessária para confirmar a manutenção do resultado e ajustar a conduta quando houver mudanças no estado de saúde. (gov.br)
O que fazer para medir a pressão corretamente
A aferição adequada ajuda a reduzir resultados equivocados. Antes da medição, é recomendado descansar por alguns minutos, evitar conversar durante o procedimento, manter os pés apoiados no chão e o braço na altura do coração. O aparelho e a braçadeira precisam ser apropriados para a pessoa.
Também é importante evitar medir a pressão imediatamente após esforço físico, consumo de café, cigarro ou situações de estresse intenso. Se a leitura estiver alterada, o profissional pode repetir a medida e orientar novas aferições. Em alguns casos, pode recomendar o acompanhamento da pressão fora do consultório, como a monitorização residencial ou ambulatorial.
Quem mede a pressão em casa deve anotar data, horário, valores obtidos e eventuais sintomas. Essas informações podem ajudar a equipe de saúde, mas não substituem a consulta. O aparelho doméstico não deve ser usado para aumentar, reduzir ou suspender medicamentos sem orientação.
Medicamentos não devem ser interrompidos por conta própria
É comum que a pessoa pare de tomar o remédio quando as medições melhoram ou quando não sente sintomas. Essa decisão pode fazer a pressão voltar a subir e aumentar o risco de complicações. O resultado controlado geralmente indica que o tratamento está funcionando, e não que a doença desapareceu.
Se houver tontura, fraqueza, inchaço, tosse, palpitação ou outro efeito que possa estar relacionado ao medicamento, o paciente deve informar a equipe de saúde. O profissional poderá avaliar a situação e, se necessário, modificar a dose ou substituir o remédio. A automedicação e o compartilhamento de comprimidos podem ser perigosos.
O Ministério da Saúde informa que medicamentos para hipertensão podem ser disponibilizados gratuitamente em unidades do SUS e pelo programa Farmácia Popular, conforme os critérios e a disponibilidade da rede. Para retirar o medicamento, é necessário seguir as exigências do serviço, que podem incluir documento de identificação, CPF e receita dentro do prazo de validade. (gov.br)
Hábitos que ajudam no controle da pressão
As mudanças de rotina devem ser adaptadas às condições de saúde e à realidade de cada pessoa. Elas não substituem o tratamento prescrito, mas podem melhorar o controle da pressão e reduzir o risco cardiovascular.
- Reduza o sal: evite acrescentar sal à comida e diminua o consumo de produtos industrializados, que podem conter grande quantidade de sódio.
- Tenha uma alimentação equilibrada: priorize alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijão e outros alimentos tradicionais da alimentação brasileira.
- Pratique atividade física: procure orientação profissional para escolher uma atividade compatível com a idade, o condicionamento e a presença de outras doenças.
- Evite o tabagismo: fumar prejudica os vasos sanguíneos e amplia o risco de doenças cardiovasculares.
- Modere o consumo de álcool: o uso frequente ou em excesso pode dificultar o controle da pressão.
- Acompanhe outras condições: diabetes, colesterol elevado, excesso de peso e doença renal também precisam de avaliação e tratamento.
- Organize os horários dos remédios: alarmes, caixas organizadoras e uma rotina fixa podem ajudar a evitar esquecimentos.
O Ministério da Saúde recomenda manter peso adequado, reduzir o consumo de sal, praticar atividade física, abandonar o cigarro, moderar o álcool e controlar doenças associadas como diabetes. (gov.br)
Quando procurar atendimento com urgência
A pressão muito elevada acompanhada de sintomas como dor ou aperto no peito, falta de ar, desmaio, fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, confusão mental, alteração importante da visão ou dor de cabeça intensa exige avaliação imediata. Esses sinais podem indicar uma situação grave e não devem ser tratados apenas em casa.
Também é necessário buscar atendimento quando houver piora súbita do estado geral, convulsão ou dificuldade para respirar. A pessoa não deve tomar doses extras de medicamentos por conta própria para tentar baixar rapidamente a pressão. O mais seguro é procurar um serviço de urgência e informar os remédios já utilizados e os valores registrados.
O cuidado no Maranhão
No Maranhão, a atenção primária é a porta de entrada para o acompanhamento de pessoas com hipertensão. A Secretaria de Estado da Saúde informa que unidades da rede pública realizam ações de prevenção, aferição da pressão, orientação e acompanhamento, enquanto casos que exigem maior complexidade podem ser encaminhados conforme a organização da rede estadual e municipal.
Dados divulgados pela SES-MA mostram a atuação de equipes da Estratégia Saúde da Família no acompanhamento de pessoas com hipertensão em municípios maranhenses. Em 2025, a Unidade Básica de Saúde do Maiobão, em Paço do Lumiar, registrou 3.235 atendimentos direcionados ao acompanhamento de pessoas com hipertensão arterial, segundo a secretaria. O dado reforça o papel da UBS no cuidado contínuo e próximo da comunidade. (saude.ma.gov.br)
A rede estadual também mantém policlínicas e outros serviços de referência para situações que precisam de avaliação especializada. O encaminhamento depende da avaliação realizada na atenção primária, dos critérios clínicos e dos fluxos definidos pelos gestores do SUS. Por isso, pessoas com diagnóstico ou suspeita de hipertensão devem procurar a unidade de saúde do município para receber orientação sobre consultas, exames e retirada de medicamentos.
O que levar à consulta
Para facilitar o atendimento, o paciente pode levar documento de identificação, cartão do SUS, receitas anteriores, resultados de exames e uma lista dos medicamentos usados. Se fizer aferições em casa, é útil apresentar as anotações com datas e horários. Também vale registrar dúvidas sobre efeitos colaterais, alimentação, atividade física e horários das doses.
O mais importante é não esperar o surgimento de sintomas para cuidar da pressão. A hipertensão pode ser silenciosa, mas o acompanhamento regular permite agir antes que ocorram danos ao coração, ao cérebro, aos rins e aos vasos sanguíneos. No Maranhão, a orientação é buscar a UBS de referência, manter as consultas e seguir o tratamento definido pela equipe de saúde.








