quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Cultura e Pontos Turísticos

Floresta dos Guarás: guia para conhecer manguezais, ilhas e praias do Maranhão

A Floresta dos Guarás é um polo ecoturístico do litoral ocidental do Maranhão, com manguezais, rios, praias, ilhas e comunidades tradicionais. Veja o que conhecer, como planejar a viagem e quais cuidados tomar.

A Floresta dos Guarás é uma das principais regiões de natureza do litoral ocidental do Maranhão. O polo turístico reúne manguezais, rios, estuários, praias, restingas e ilhas habitadas por comunidades tradicionais. A paisagem é marcada pelo contraste entre a vegetação amazônica, o mar aberto e os canais que avançam pelo território costeiro.

O nome da região faz referência ao guará, ave de plumagem vermelha que pode ser observada em diferentes áreas de mangue e ilhas. Além da fauna, o destino se destaca por experiências ligadas à pesca artesanal, ao turismo de base comunitária, à cultura quilombola e aos passeios náuticos.

O polo está localizado no litoral ocidental do Maranhão e abrange Apicum-Açu, Bacuri, Bequimão, Cedral, Central do Maranhão, Cururupu, Guimarães, Mirinzal, Porto Rico do Maranhão e Serrano do Maranhão, segundo a instância regional de governança turística. (adeturguaras.com.br)

O que é a Floresta dos Guarás

A Floresta dos Guarás é um polo turístico, e não uma única unidade de conservação com um único portão de entrada. A região está inserida em uma área costeira extensa e recortada, com baías, enseadas, rios, canais, ilhas, praias e manguezais.

Parte dos atrativos se relaciona à Área de Proteção Ambiental das Reentrâncias Maranhenses e a outras áreas protegidas, como a Reserva Extrativista Marinha de Cururupu. A Resex protege ilhas, manguezais e praias do município de Cururupu e tem entre suas atividades a pesca artesanal, o extrativismo e o turismo. (gov.br)

Por isso, o planejamento da viagem depende do município escolhido, do tipo de passeio e das condições de maré. Não existe um roteiro único capaz de mostrar toda a região em uma visita curta.

Manguezais, rios e estuários

Os manguezais são um dos principais elementos da paisagem. Esses ambientes funcionam como áreas de abrigo, alimentação e reprodução para peixes, crustáceos, moluscos e aves. A presença dos canais e dos estuários também influencia diretamente o deslocamento das embarcações e o horário dos passeios.

Em alguns pontos, a visita é feita de barco por rios e braços de mar. O percurso permite observar a vegetação das margens, pequenas comunidades, áreas de pesca e a transição entre água doce e salgada. A experiência costuma ser mais interessante quando acompanhada por condutores que conhecem as marés, os canais e a rotina das comunidades.

Em Bequimão, por exemplo, o rio Itapetininga integra a Reserva Extrativista Itapetininga e é associado a passeios de barco, pesca artesanal e trilhas em áreas de manguezal. O rio também é apresentado como caminho para a Ilha de Imbotíua. (adeturguaras.com.br)

Ilhas, praias e paisagens costeiras

O arquipélago de Maiaú, no litoral de Cururupu, está entre os destaques da região. O conjunto reúne ilhas com comunidades pesqueiras, praias de menor ocupação e áreas de vegetação costeira. O acesso e as condições de visita variam conforme a maré, o clima e a disponibilidade de transporte local.

A Ilha dos Lençóis é outro atrativo conhecido da Floresta dos Guarás. A paisagem combina dunas, lagoas formadas no período chuvoso, restingas e praias. A ilha também abriga uma comunidade de pescadores tradicionais e está inserida na Reserva Extrativista Marinha de Cururupu.

O plano de manejo da reserva registra que a visitação ocorre principalmente na Ilha dos Lençóis. Entre as atividades identificadas estão caminhadas, banho, acampamento, mergulho e exposições, sempre condicionadas às regras locais e à estrutura disponível. (gov.br)

Outros atrativos divulgados pela governança turística regional incluem as praias de Caçacueira, São Lucas, Mangunça, Araoca, Sassoitá, Baleia e Imbutiua, além da Ilha da África e do Parcel de Manuel Luís. Nem todos os locais têm a mesma estrutura ou são indicados para visitação independente.

Revoada dos guarás e observação de aves

A observação de aves é uma das experiências mais procuradas na região. O guará, espécie que dá nome ao polo, chama atenção pela coloração vermelha da plumagem. Também podem ser encontrados guarás, garças, colhereiros, maçaricos, gaivotas, marrecos e outras aves associadas aos ambientes costeiros.

Na Ilha dos Lençóis, a revoada dos guarás no fim da tarde é descrita como um dos momentos mais marcantes da visita. Para aumentar as chances de observação, o visitante deve buscar orientação de guias locais e evitar ruídos, aproximação excessiva e uso de drones sem autorização.

A presença das aves pode mudar conforme a maré, a época do ano e as condições ambientais. Por isso, não é possível garantir previamente a quantidade de animais ou o horário exato da revoada.

Turismo de base comunitária

O turismo na Floresta dos Guarás está ligado ao modo de vida de pescadores, extrativistas e comunidades quilombolas. Em vários municípios, a visita pode incluir passeios conduzidos por moradores, refeições com ingredientes locais, hospedagem simples, apresentações culturais, trilhas e contato com atividades tradicionais.

Essa modalidade exige respeito à rotina das comunidades. O ideal é contratar serviços previamente, combinar valores e horários antes do passeio e seguir as orientações dos anfitriões. Também é importante perguntar se fotografias, filmagens ou visitas a áreas residenciais são permitidas.

A Secretaria de Estado do Turismo do Maranhão já realizou ações de capacitação e visitas técnicas no polo, incluindo atividades relacionadas ao afroturismo e às experiências turísticas em comunidades tradicionais. (turismo.ma.gov.br)

Como planejar a viagem

O primeiro passo é escolher um município-base. Cururupu costuma aparecer como referência para roteiros com ilhas, manguezais e a Ilha dos Lençóis, mas outros municípios também oferecem rios, praias, trilhas, comunidades e passeios náuticos.

Como a Floresta dos Guarás é uma região extensa, o deslocamento entre cidades e ilhas pode exigir carro, transporte local e embarcação. A melhor opção depende do destino específico. Antes de viajar, confirme com a prefeitura, com a secretaria municipal de turismo, com a instância regional ou com um operador local quais são os pontos de saída, a duração do trajeto, o tipo de barco e as condições de acesso.

Também é recomendável verificar a tábua de marés e a previsão do tempo. Em áreas de estuário e arquipélago, a maré interfere no embarque, no desembarque, na navegação e na formação de bancos de areia. Chuvas e ventos podem alterar passeios previamente programados.

Não há uma tarifa única para conhecer a Floresta dos Guarás. Os preços variam de acordo com o município, o transporte, a duração, o número de passageiros, o guia e a inclusão de alimentação ou hospedagem. Solicite o valor total e o que está incluído antes de confirmar a reserva.

O que levar

  • Roupas leves, chapéu ou boné e proteção contra o sol;
  • repelente e protetor solar;
  • calçados adequados para areia, trilhas e áreas úmidas;
  • água potável e algum alimento para trajetos mais longos;
  • capa impermeável ou proteção para celular e câmera;
  • documentos, medicamentos de uso contínuo e dinheiro em espécie, quando necessário;
  • saco para trazer de volta todo o lixo produzido.

A estrutura pode ser limitada em ilhas e comunidades. Não presuma que haverá sinal de celular, caixa eletrônico, comércio, banheiro ou atendimento médico próximo. Informe-se previamente sobre hospedagem, alimentação, abastecimento e transporte de retorno.

Cuidados durante os passeios

O visitante deve evitar retirar conchas, plantas, animais ou qualquer elemento natural. Também não deve alimentar aves, deixar resíduos, abrir trilhas, entrar em áreas restritas ou se aproximar de ninhos e grupos de animais.

Em passeios de barco, use colete salva-vidas e confirme se a embarcação está adequada ao trajeto. Crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida precisam de avaliação específica, pois alguns embarques ocorrem em portos simples, áreas de areia ou margens sujeitas à variação da maré.

As regras podem mudar conforme a unidade de conservação e o atrativo. O ICMBio mantém informações sobre unidades federais e recomenda consultar as orientações oficiais antes da visita. Os limites apresentados em mapas interativos têm caráter informativo e não substituem a cartografia oficial. (gov.br)

Quando ir

A escolha da melhor época depende do objetivo da viagem. O período chuvoso pode favorecer o surgimento de lagoas temporárias nas áreas de dunas, enquanto meses mais secos costumam facilitar atividades ao ar livre. Mesmo assim, a navegação depende da maré e das condições do vento em qualquer época.

Para observar aves, o visitante deve conversar com guias e moradores sobre os horários mais adequados. A presença dos guarás não é garantida em todos os passeios, e o comportamento das aves pode variar conforme o ambiente e a movimentação na área.

Por que conhecer a região

A Floresta dos Guarás oferece uma experiência diferente dos destinos maranhenses mais conhecidos por grandes campos de dunas. O foco está na navegação por manguezais e estuários, na observação de aves, nas praias pouco urbanizadas, nas ilhas e na convivência com comunidades que mantêm atividades tradicionais.

O destino exige mais planejamento do que uma viagem convencional. Em contrapartida, permite conhecer uma paisagem costeira marcada pela biodiversidade e por modos de vida que fazem parte da identidade do Maranhão.

Para uma visita responsável, escolha serviços locais, respeite as regras ambientais, reduza o uso de plástico, não deixe resíduos e confirme as condições de acesso antes de sair. Dessa forma, o turismo contribui para a economia das comunidades sem pressionar os ambientes frágeis que formam a Floresta dos Guarás.

Fontes consultadas: Secretaria de Estado do Turismo do Maranhão, ADETUR Guarás e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.