O esporte escolar no Maranhão pode ser o primeiro passo para que crianças e adolescentes descubram habilidades, desenvolvam disciplina e tenham acesso a novas oportunidades dentro e fora das quadras. Por meio das aulas de educação física, dos treinamentos e das competições estudantis, estudantes que ainda não tiveram contato com determinadas modalidades podem ser identificados e orientados.
O caminho não depende apenas de desempenho esportivo. A participação em atividades escolares também contribui para a convivência, a inclusão, a saúde e o vínculo com a escola. No Maranhão, os Jogos Escolares Maranhenses (JEMs) e os Jogos Paralímpicos Escolares Maranhenses (ParaJEMs) organizam etapas que permitem a participação de estudantes de diferentes municípios e redes de ensino.
De acordo com o regulamento dos JEMs e ParaJEMs de 2026, a competição reúne etapas escolar, municipal, regional e estadual. O documento também prevê a participação de instituições públicas e privadas e estabelece categorias específicas para estudantes-atletas. Confira o regulamento oficial dos JEMs e ParaJEMs. (sedel.ma.gov.br)
Como o esporte escolar ajuda a revelar talentos
A escola é um dos espaços mais acessíveis para a iniciação esportiva. Nem todos os estudantes têm condições de frequentar clubes, academias ou projetos particulares. Por isso, atividades oferecidas no ambiente escolar podem ampliar o contato com modalidades como atletismo, futsal, vôlei, basquete, handebol, natação, judô e esportes paralímpicos.
O professor de educação física pode observar características que nem sempre aparecem em uma única partida. Velocidade, coordenação motora, resistência, força, equilíbrio, capacidade de concentração e facilidade para trabalhar em equipe são alguns dos aspectos que podem indicar afinidade com determinada modalidade.
Essa observação deve ocorrer de forma gradual e responsável. Um bom desempenho em uma competição não significa, sozinho, que o estudante seguirá carreira profissional. A descoberta de um talento deve ser acompanhada por orientação técnica, respeito ao estágio de desenvolvimento, cuidados com a saúde e manutenção da frequência escolar.
O esporte educacional também permite que o aluno experimente modalidades diferentes antes de escolher aquela com que mais se identifica. Em muitos casos, o estudante pode não se destacar inicialmente no esporte mais popular de sua região, mas apresentar potencial em uma modalidade menos conhecida.
O papel dos Jogos Escolares Maranhenses
Os JEMs são a principal competição escolar do estado e funcionam como uma rede de integração entre escolas, municípios e estudantes. A edição de 2026 prevê categorias de 12 a 14 anos e de 15 a 17 anos. Os ParaJEMs abrangem estudantes de 11 a 18 anos, incluindo pessoas com deficiência física, visual, intelectual e estudantes com transtorno do espectro autista, conforme as regras da competição.
Além de ampliar a participação esportiva, os jogos têm função classificatória. O regulamento de 2026 estabelece os JEMs e ParaJEMs como etapa única para a definição das vagas destinadas aos Jogos Escolares Brasileiros, aos Jogos da Juventude e às Paralimpíadas Escolares, de acordo com a faixa etária e a modalidade. (sedel.ma.gov.br)
Na prática, isso significa que um estudante que começa em uma competição promovida pela escola ou pelo município pode avançar para etapas regionais e estaduais. Dependendo do resultado e das regras da modalidade, também pode representar o Maranhão em eventos de alcance nacional.
Em 2025, os JEMs e ParaJEMs reuniram mais de 7 mil atletas, técnicos e chefes de delegações na fase final, segundo a Secretaria de Estado do Esporte e Lazer. A competição envolveu participantes de 159 municípios e foi realizada ao longo de 22 dias em São Luís. (sedel.ma.gov.br)
Quem pode participar
A participação depende da categoria, da modalidade, da inscrição da escola e do cumprimento das regras previstas no regulamento anual. Em geral, o estudante precisa estar regularmente matriculado na instituição de ensino que fará a inscrição da equipe ou do atleta.
As exigências podem variar conforme a competição. Por isso, famílias e estudantes devem consultar a escola, a secretaria municipal responsável pelo esporte ou a Secretaria de Estado do Esporte e Lazer antes de reunir documentos ou iniciar treinamentos específicos.
Também é importante verificar a idade exigida, a categoria correspondente, o período de inscrição, a necessidade de autorização do responsável e os documentos escolares solicitados. A inscrição não deve ser presumida apenas porque o aluno participa de uma equipe informal ou de uma atividade esportiva fora da escola.
Como o estudante pode começar
O primeiro passo é procurar a direção da escola ou o professor de educação física. O estudante pode perguntar se a instituição participa de competições municipais, dos JEMs ou de projetos esportivos mantidos pela rede de ensino.
Quando a escola ainda não tem equipe formada, os alunos podem conversar com professores, grêmio estudantil, direção e secretaria de educação para verificar a possibilidade de criar atividades ou participar de seletivas. A existência de uma equipe depende da organização local, da disponibilidade de profissionais e das regras de cada município.
Outra alternativa é acompanhar os comunicados da prefeitura, da secretaria municipal de esporte e da Secretaria de Estado do Esporte e Lazer. Os atos oficiais dos JEMs são divulgados por meio de regulamentos, boletins, notas oficiais e ofícios, conforme previsto no regulamento da competição.
O estudante interessado também deve manter uma rotina de treinamento compatível com a idade, descansar adequadamente e informar ao professor qualquer dor ou limitação. O objetivo da iniciação esportiva não é acelerar resultados, mas criar condições seguras para o desenvolvimento.
Etapas da trajetória esportiva
A trajetória costuma começar dentro da escola, com aulas, treinos ou seletivas internas. Depois, o estudante pode participar de competições municipais ou de eventos organizados pela rede de ensino. Em seguida, as equipes e atletas classificados avançam para etapas regionais e estaduais, conforme o regulamento.
O calendário de 2025 dos JEMs mostrou essa estrutura ao distribuir as etapas regionais em diferentes cidades-sede, entre elas São Luís, Arari, Caxias, Colinas, Imperatriz, Bacabal, Barra do Corda, Guimarães, João Lisboa, Axixá, Brejo, Santa Luzia do Paruá e Vargem Grande. As cidades e datas podem mudar a cada edição e devem ser confirmadas nos canais oficiais. (sedel.ma.gov.br)
Esse formato ajuda a reduzir a distância entre os estudantes e as competições. Em vez de concentrar todas as disputas na capital, as etapas regionais permitem que atletas de várias áreas do estado sejam observados em diferentes modalidades.
Modalidades e inclusão
Os jogos escolares abrangem modalidades coletivas e individuais. Em 2025, o cronograma regional incluiu atletismo, atletismo adaptado, basquete, beach soccer, futsal, jogos eletrônicos, handebol, voleibol e vôlei de praia. A lista pode ser atualizada em cada edição, por isso é necessário consultar o regulamento específico.
As modalidades individuais são especialmente importantes para a identificação de talentos. Em provas de atletismo, natação ou lutas, por exemplo, resultados e características técnicas podem ser avaliados de maneira mais objetiva. Nas modalidades coletivas, além da habilidade individual, também são observadas leitura de jogo, tomada de decisão, cooperação e disciplina tática.
A inclusão deve estar presente desde a iniciação. Os ParaJEMs ampliam o acesso de estudantes com deficiência e permitem que o desempenho seja avaliado dentro de regras adaptadas e estruturas específicas. A participação não deve ser limitada pela ausência de experiência anterior ou pela falta de visibilidade do atleta.
O que a família deve observar
A família tem papel importante, mas não deve transformar a atividade esportiva em cobrança excessiva. O estudante precisa ter espaço para experimentar, errar, aprender e decidir se deseja continuar em determinada modalidade.
Antes de autorizar treinos e viagens, os responsáveis devem confirmar quem organiza a atividade, onde ela será realizada, quais profissionais acompanham os estudantes e quais documentos são necessários. Em competições oficiais, é importante conferir informações sobre transporte, alimentação, hospedagem, autorização e atendimento em caso de emergência.
Também é necessário acompanhar a frequência e o rendimento escolar. O esporte pode fortalecer a relação com a escola, mas não deve ser usado como justificativa para abandonar os estudos. A formação esportiva e a educação precisam caminhar juntas.
Programas de apoio e continuidade
O desempenho em competições escolares pode abrir portas para projetos de treinamento, clubes, federações e programas de apoio. No Maranhão, o programa Bolsa Atleta estadual tem como objetivo democratizar o acesso à prática esportiva e valorizar atletas e paratletas de base, com atendimento previsto para pessoas de 10 a 25 anos, conforme as regras do programa e os critérios definidos em cada processo.
Isso não significa que todo participante dos JEMs terá direito automático ao benefício. A concessão depende da legislação, dos critérios de enquadramento, da documentação e dos resultados exigidos. As informações devem ser consultadas diretamente na página oficial do Bolsa Atleta da Sedel. (sedel.ma.gov.br)
No âmbito federal, o Programa Revelar Talentos é voltado à formação de jovens atletas nas fases de especialização e aperfeiçoamento. A iniciativa prevê ações relacionadas a núcleos de treinamento, participação em eventos, capacitação técnica e desenvolvimento das categorias de base. (gov.br)
Cuidados para evitar falsas promessas
O interesse por uma carreira esportiva pode expor famílias a promessas de bolsas, contratos ou testes garantidos. Nenhum resultado escolar representa, por si só, aprovação em clube ou profissionalização.
Antes de pagar por uma avaliação, viagem ou inscrição, os responsáveis devem verificar a identidade da instituição, o responsável técnico, o objetivo da atividade e a existência de autorização formal. É prudente desconfiar de quem promete contratação imediata, exige valores elevados sem contrato ou solicita documentos pessoais sem explicar a finalidade.
Também é importante evitar treinamentos excessivos ou dietas restritivas sem acompanhamento profissional. Crianças e adolescentes estão em fase de desenvolvimento e precisam de orientação adequada, descanso, alimentação equilibrada e acompanhamento de saúde quando necessário.
Por que o esporte escolar vai além das medalhas
Mesmo quando não chega a uma etapa nacional, o estudante pode obter benefícios importantes. A prática esportiva contribui para a socialização, a autonomia, o respeito às regras e a capacidade de lidar com vitórias e derrotas.
Para as escolas, as competições podem fortalecer o vínculo dos alunos com a comunidade e incentivar a participação em projetos coletivos. Para os municípios, os jogos ajudam a identificar demandas por espaços esportivos, profissionais e políticas de iniciação.
No Maranhão, a participação em competições escolares representa, portanto, uma oportunidade de ampliar o acesso ao esporte e de tornar mais visíveis estudantes que talvez não fossem descobertos em circuitos tradicionais. O resultado mais importante é criar uma trajetória segura, inclusiva e compatível com a formação educacional.
Para começar: procure a direção da escola, converse com o professor de educação física, acompanhe os comunicados da secretaria municipal e consulte os regulamentos publicados pela Secretaria de Estado do Esporte e Lazer. As regras, datas, modalidades e documentos podem mudar a cada edição.



