Eliminar criadouros do Aedes aegypti é uma das principais medidas para reduzir o risco de dengue, zika e chikungunya no Maranhão. O mosquito se reproduz em recipientes com água parada, inclusive em pequenos volumes acumulados em áreas internas e externas dos imóveis.
A recomendação é fazer uma vistoria pelo menos uma vez por semana em casas, apartamentos, quintais, terrenos, comércios, escolas e demais locais que possam reunir recipientes expostos à chuva ou ao armazenamento de água. Segundo o Ministério da Saúde, uma ação semanal de controle mecânico pode interromper o ciclo de desenvolvimento do mosquito. (gov.br)
Por que a vistoria semanal é importante
O Aedes aegypti passa por quatro fases de desenvolvimento: ovo, larva, pupa e mosquito adulto. As fases iniciais ocorrem na água acumulada em recipientes. Por isso, retirar a água, eliminar o recipiente ou impedir que ele volte a acumular líquido reduz a possibilidade de nascimento de novos mosquitos.
A vistoria não deve se limitar aos locais mais evidentes. O mosquito pode se reproduzir em pratos de vasos, baldes, garrafas, pneus, calhas, ralos, lonas, brinquedos, tampas, sucatas, bebedouros de animais e outros objetos que permaneçam ao ar livre. Pequenas poças também merecem atenção, especialmente depois de períodos de chuva.
Passo a passo para eliminar possíveis criadouros
1. Retire a água acumulada
Ao encontrar água parada, esvazie o recipiente com cuidado e verifique se há larvas ou sujeira nas paredes. Não basta apenas virar o recipiente e deixá-lo no mesmo lugar. Se ele continuar exposto à chuva, poderá acumular água novamente.
Objetos que não têm utilidade devem ser descartados de forma adequada, sem serem deixados em calçadas, terrenos baldios, margens de córregos ou áreas onde possam acumular água. Materiais recicláveis devem permanecer protegidos da chuva até a coleta ou encaminhamento correto.
2. Elimine as larvas corretamente
Se houver larvas na água, não despeje o conteúdo diretamente em ralos, pias, vasos sanitários ou outros locais que também possam manter umidade. Essa prática pode transferir as larvas para outro ambiente favorável ao desenvolvimento.
De acordo com orientação divulgada pelo Ministério da Saúde com base em informações da Fiocruz, as larvas não resistem ao ressecamento. Depois de retirar a água, o conteúdo deve ser colocado em uma superfície seca, como cimento, asfalto, terra ou grama, onde não possa voltar a ter contato com água.
Em seguida, o recipiente precisa ser lavado e esfregado. Quando possível, deve ser guardado virado para baixo, coberto ou descartado. O objetivo é impedir que um novo acúmulo de água permita a continuidade do ciclo do mosquito. (gov.br)
3. Esfregue as paredes dos recipientes
Os ovos do Aedes aegypti podem ficar presos nas paredes e nas bordas dos recipientes, acima da linha da água. Eles são pequenos, escuros e podem permanecer viáveis por meses em condições secas.
Por isso, esvaziar o recipiente não é suficiente. Use uma esponja ou escova para esfregar as paredes internas, principalmente nos pratos de vasos, bebedouros de animais, baldes, tonéis e caixas que tenham acumulado água. Depois, enxágue e mantenha o objeto seco, protegido ou devidamente tampado.
Cuidados com os principais pontos de risco
Caixas-d’água, tonéis e reservatórios
Caixas-d’água, tambores, tonéis e outros reservatórios devem permanecer completamente tampados, sem frestas que permitam a entrada do mosquito. A tampa precisa estar bem ajustada e em boas condições.
Quando houver rachaduras, furos ou dificuldade para manter o reservatório fechado, o problema deve ser corrigido o quanto antes. A água armazenada para consumo ou uso doméstico exige atenção permanente, especialmente em períodos de abastecimento irregular.
Também é importante observar calhas, canaletas e pontos de escoamento próximos aos reservatórios. Folhas, barro e outros resíduos podem impedir a passagem da água e formar áreas de acúmulo.
Vasos de plantas
Pratos colocados sob vasos de plantas podem acumular água e devem ser eliminados sempre que possível. Quando o uso do prato for necessário, ele precisa ser lavado e esfregado regularmente, além de permanecer sem água acumulada.
O mesmo cuidado deve ser adotado com plantas mantidas em recipientes, vasos decorativos e objetos usados em jardins. A terra, a areia e os materiais escolhidos para a drenagem não devem permitir a formação de poças.
Pneus, garrafas e recipientes descartáveis
Pneus abandonados são criadouros frequentes porque retêm água da chuva. O ideal é encaminhá-los para descarte adequado ou mantê-los em local coberto, protegidos da água.
Garrafas, copos, potes, tampas, embalagens e latas devem ser descartados corretamente. Se forem guardados para reutilização ou reciclagem, precisam ficar em local coberto e com a abertura voltada para baixo.
Brinquedos, baldes, carrinhos, lonas e outros objetos deixados no quintal também devem ser recolhidos após o uso. A cobertura improvisada precisa ser revisada para que não crie bolsões onde a água possa ficar acumulada.
Ralos, calhas e áreas externas
Ralos pouco usados, caixas de passagem e grelhas devem ser verificados. A limpeza deve remover folhas, lodo e resíduos que favoreçam o acúmulo de água.
Calhas precisam permanecer desobstruídas e com escoamento adequado. Em lajes e quintais, observe depressões no piso, lonas mal esticadas e objetos que possam reter água depois das chuvas.
Em imóveis fechados ou pouco frequentados, a vistoria também é necessária. Casas de temporada, depósitos, galpões e terrenos podem permanecer por longos períodos sem acompanhamento, favorecendo a formação de criadouros.
O que fazer com recipientes que não podem ser descartados
Alguns recipientes não podem ser removidos imediatamente, como reservatórios de água, caixas de inspeção ou estruturas fixas. Nesses casos, a prioridade é impedir o acesso do mosquito, mantendo o local completamente vedado ou protegido.
Quando a eliminação, a cobertura ou a vedação não forem possíveis, o controle pode exigir avaliação dos serviços de saúde. O Ministério da Saúde considera o uso de larvicidas uma medida complementar, destinada a criadouros que não possam ser eliminados ou manejados de outra maneira.
Produtos químicos não devem ser aplicados por conta própria em água destinada ao consumo, em reservatórios domésticos ou em locais onde possam causar risco a pessoas e animais. O tratamento deve seguir orientação técnica dos serviços de saúde e as instruções do produto autorizado. (gov.br)
Como agir em terrenos e imóveis abandonados
Terrenos baldios, imóveis desocupados e áreas com descarte irregular de resíduos podem reunir vários criadouros ao mesmo tempo. Moradores que identificarem esses pontos devem evitar entrar em locais de risco ou manusear materiais cortantes, contaminados ou instáveis.
A situação pode ser comunicada à prefeitura ou à secretaria municipal de saúde, conforme os canais disponíveis no município. Os Agentes de Combate às Endemias fazem inspeções, orientam moradores e podem realizar tratamento focal quando não é possível remover ou vedar o criadouro.
Em imóveis residenciais e comerciais, o responsável deve facilitar o acesso dos agentes durante as visitas e acompanhar a identificação dos pontos de risco. A ação conjunta entre moradores, proprietários e equipes de saúde ajuda a reduzir a infestação local. (gov.br)
Cuidados durante o período chuvoso no Maranhão
Depois das chuvas, a inspeção deve ser reforçada. A água pode se acumular em objetos que estavam secos, em folhas, buracos, materiais de construção, entulhos e superfícies irregulares.
É recomendável fazer uma vistoria após cada chuva forte e manter uma rotina semanal mesmo quando não houver precipitação. O mosquito pode encontrar água em recipientes protegidos e em áreas internas do imóvel.
Também é importante não armazenar lixo a céu aberto. Sacos, embalagens, copos e outros resíduos devem ser mantidos em recipientes fechados ou encaminhados para a coleta, evitando que a chuva forme novos pontos de acúmulo.
Erros que devem ser evitados
- Retirar a água sem esfregar as paredes do recipiente.
- Despejar água com larvas em ralos, pias ou vasos sanitários.
- Deixar pneus, garrafas e baldes expostos à chuva.
- Manter caixas-d’água e tonéis sem tampa ou com cobertura inadequada.
- Usar água sanitária, álcool ou outros produtos sem orientação técnica.
- Confiar apenas na aplicação de inseticida para resolver o problema.
- Fazer a vistoria somente quando houver casos de dengue na vizinhança.
O controle químico não substitui a remoção, a proteção ou a vedação dos criadouros. A orientação oficial prioriza o controle mecânico, com a eliminação dos recipientes e a prevenção de novos acúmulos de água. (gov.br)
Checklist semanal de prevenção
Uma lista simples pode ajudar a organizar a vistoria no imóvel:
- Verificar caixas-d’água, tonéis e outros reservatórios.
- Limpar calhas, ralos, canaletas e caixas de passagem.
- Retirar água de pratos de vasos e recipientes de plantas.
- Guardar garrafas, baldes, brinquedos e ferramentas em local coberto.
- Virar pneus e objetos que possam acumular chuva.
- Remover folhas, lixo e entulho do quintal ou da área externa.
- Esfregar recipientes que tenham armazenado água.
- Observar imóveis fechados, terrenos e pontos de difícil acesso.
A vistoria deve envolver todos os moradores e responsáveis pelo imóvel. Em condomínios, escolas, empresas e estabelecimentos comerciais, a prevenção precisa incluir áreas comuns, depósitos, estacionamentos, coberturas e locais de armazenamento.
Quando procurar a equipe de saúde
O morador deve procurar a unidade de saúde ou os serviços municipais quando encontrar um criadouro de difícil acesso, identificar larvas em um local que não consegue eliminar ou precisar de orientação sobre um reservatório que não pode ser descartado.
Os Agentes de Combate às Endemias e os Agentes Comunitários de Saúde podem orientar sobre a remoção, a vedação e o manejo adequado dos recipientes. A atuação dos agentes não elimina a responsabilidade dos moradores, mas contribui para identificar riscos que podem passar despercebidos.
Eliminar possíveis criadouros do Aedes aegypti exige ações simples e contínuas. No Maranhão, a combinação entre vistoria semanal, descarte correto de resíduos, proteção dos reservatórios e comunicação com os serviços de saúde ajuda a reduzir as condições favoráveis à reprodução do mosquito.
Mais informações sobre vigilância e controle do vetor estão disponíveis no Ministério da Saúde e no site da Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão.








