quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Saúde

Saúde mental: saiba quando é importante procurar atendimento profissional no Maranhão

Entenda os sinais de alerta para buscar ajuda em saúde mental, quais serviços estão disponíveis no SUS e o que fazer em situações de crise no Maranhão.

Cuidar da saúde mental faz parte da atenção integral à saúde. Momentos de tristeza, preocupação, irritação ou cansaço podem ocorrer na vida cotidiana, mas alterações persistentes ou intensas, que prejudicam a rotina, os relacionamentos, o trabalho ou os estudos, merecem avaliação profissional.

No Maranhão, a porta de entrada para o atendimento pode ser a Unidade Básica de Saúde (UBS), enquanto os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) oferecem cuidado especializado para pessoas em sofrimento psíquico intenso e para casos relacionados ao uso prejudicial de álcool e outras drogas. Em situações de urgência, a orientação é procurar uma UPA, um pronto-socorro ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo número 192.

Quando procurar ajuda profissional

Não é necessário esperar que o sofrimento se torne insuportável para buscar atendimento. A recomendação é procurar uma equipe de saúde quando os sintomas permanecem, se repetem ou começam a interferir na vida diária.

Entre os sinais que podem indicar a necessidade de avaliação estão tristeza intensa, ansiedade frequente, irritabilidade, medo excessivo, sensação de vazio, desesperança, dificuldade de concentração e perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas. Alterações importantes no sono, no apetite, na disposição ou no desempenho escolar e profissional também devem ser observadas.

Esses sinais não permitem, isoladamente, identificar um diagnóstico. A avaliação deve ser feita por profissionais habilitados, que considerarão o histórico da pessoa, a duração dos sintomas, as condições de vida, o uso de medicamentos e outras questões de saúde.

Sinais que não devem ser ignorados

Algumas mudanças exigem atenção especial, principalmente quando aparecem de forma intensa ou permanecem por vários dias. Entre elas estão o isolamento social, o abandono de cuidados básicos, crises de ansiedade recorrentes, dificuldade para realizar tarefas simples e o aumento do consumo de álcool ou outras drogas como tentativa de aliviar o sofrimento.

Também é importante buscar ajuda quando a pessoa passa a apresentar pensamentos de morte, fala sobre não querer mais viver, demonstra desesperança intensa ou menciona a possibilidade de se machucar. Comentários desse tipo devem ser levados a sério, mesmo quando parecem ter sido feitos durante uma discussão ou em tom de desabafo.

Familiares e amigos podem oferecer escuta sem julgamentos e ajudar na busca por atendimento. Em vez de minimizar a situação ou dizer que a pessoa precisa apenas “ter força”, é preferível perguntar como ela está, demonstrar disponibilidade e acompanhar o acesso ao serviço de saúde.

Onde buscar atendimento pelo SUS

A Unidade Básica de Saúde é uma das principais portas de entrada do Sistema Único de Saúde. A equipe pode fazer o acolhimento inicial, avaliar a situação, orientar a pessoa e encaminhá-la, quando necessário, para outros pontos da Rede de Atenção Psicossocial.

O Centro de Atenção Psicossocial é um serviço público voltado ao atendimento de pessoas em sofrimento psíquico intenso. Os CAPS contam com equipes multiprofissionais e podem oferecer acompanhamento clínico, atendimentos individuais e em grupo, atividades terapêuticas, apoio aos familiares e articulação com outros serviços da rede.

De acordo com o Ministério da Saúde, o primeiro acolhimento em um CAPS pode ser buscado diretamente pela pessoa, sem que ela necessariamente tenha de chegar ao serviço por encaminhamento. A unidade também pode orientar o usuário para outro ponto de atenção quando o CAPS não for o serviço mais adequado.

Para localizar o CAPS mais próximo no Maranhão, a orientação é procurar a Secretaria Municipal de Saúde ou buscar informações na UBS de referência do município. A oferta e o tipo de serviço podem variar conforme a cidade e a organização local da rede.

Quando a situação é uma urgência

Algumas situações exigem atendimento imediato. É o caso de tentativa de suicídio, risco iminente de autoagressão ou agressão a outra pessoa, confusão intensa, comportamento muito agitado, intoxicação, alucinações, perda importante de contato com a realidade ou sofrimento considerado insuportável.

Nessas circunstâncias, a pessoa não deve ser deixada sozinha. Sempre que possível, familiares ou acompanhantes devem afastar objetos, medicamentos e outros meios que possam ser usados para causar ferimentos, sem colocar a própria segurança em risco.

O SAMU 192 atende situações de urgência e emergência, inclusive ocorrências relacionadas à saúde mental. O serviço funciona gratuitamente, 24 horas por dia, todos os dias da semana. A ligação permite que a equipe de regulação avalie o caso e oriente as primeiras providências.

Também é possível procurar diretamente uma UPA 24 horas, um pronto-socorro ou outro serviço de urgência. O Ministério da Saúde orienta que tentativas de suicídio e situações com risco de morte, sequela ou sofrimento intenso sejam tratadas como urgências.

CVV oferece apoio emocional

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional pelo telefone 188, de forma gratuita, sigilosa e voluntária. O serviço funciona 24 horas por dia e pode ser procurado por pessoas que desejam conversar ou que estejam enfrentando uma situação emocional difícil.

O CVV não substitui a avaliação médica, psicológica ou psiquiátrica. Em uma situação de risco imediato, o caminho é acionar o SAMU 192 ou procurar uma unidade de emergência. Para conversar com um voluntário, o atendimento pode ser acessado pelo site oficial do CVV e pelo número 188.

Como se preparar para o primeiro atendimento

Antes da consulta ou do acolhimento, pode ajudar anotar quando os sintomas começaram, com que frequência aparecem e quais áreas da vida foram afetadas. Também é útil informar mudanças no sono, no apetite, no consumo de álcool ou outras drogas e o uso de medicamentos.

Quem já fez tratamento pode levar receitas, exames ou informações sobre atendimentos anteriores. Em alguns casos, a presença de um familiar ou pessoa de confiança ajuda a relatar mudanças percebidas no comportamento e a organizar as orientações recebidas.

O atendimento pode envolver psicólogos, médicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e outros profissionais. O tratamento depende da avaliação individual e pode incluir psicoterapia, acompanhamento clínico, atividades terapêuticas, orientação familiar e, quando indicado, medicamentos prescritos por profissional habilitado.

O que evitar durante o sofrimento

A automedicação deve ser evitada, assim como a interrupção de remédios por conta própria. Medicamentos usados para ansiedade, depressão, insônia ou outras condições podem exigir acompanhamento e ajustes feitos por profissionais de saúde.

Também não é recomendável tentar resolver uma crise apenas com álcool ou outras drogas. Essas substâncias podem agravar a ansiedade, a impulsividade, a confusão e outros sintomas, além de aumentar os riscos em situações de crise.

Buscar atendimento não significa necessariamente ter um transtorno mental. Significa reconhecer que existe sofrimento e que a pessoa pode precisar de apoio especializado. Quanto mais cedo a situação for avaliada, maior a possibilidade de organizar um cuidado adequado e evitar o agravamento do quadro.

Orientação para familiares e amigos

Ao perceber sinais de sofrimento, escolha um momento tranquilo para conversar. Faça perguntas diretas e acolhedoras, escute sem interromper e evite críticas. Se houver menção a pensamentos de morte ou de autoagressão, pergunte com clareza se existe risco imediato e procure ajuda profissional.

Em casos graves, não deixe a pessoa sozinha e não prometa guardar segredo sobre uma situação que envolva risco à vida. Acione o SAMU 192, procure uma UPA ou vá a um pronto-socorro. A prioridade é preservar a segurança e garantir que o atendimento aconteça o mais rapidamente possível.

Informações sobre saúde mental e a rede de atendimento podem ser consultadas nas páginas do Ministério da Saúde. No Maranhão, a UBS, a Secretaria Municipal de Saúde e os serviços de urgência podem orientar sobre os caminhos disponíveis em cada município.